quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Personagens - Delatores - Felizmente Há Luar

Representam os “bufos” do regime salazarista.

-      Vicente
·       É do povo, mas trai-o para subir na vida
·       Tem vergonha do seu nascimento, da sua condição social
·       Faz o que for preciso para ganhar um cargo na polícia
·       Demagogo, hipócrita, traidor, desleal e sarcástico
·       Falso humanitário
·       Intersseiro
·       Adulador do momento

-      Andrade Corvo e Morais Sarmento
·       Querem ganhar dinheiro a todo o custo
·       Funcionam como “bufos” também pelo medo que têm das consequências de estar contra o governo
·       Mesquinhos, oportunistas e hipócritas

Personagens - Povo - Felizmente Há Luar

-      Rita, Antigo Soldado, Populares
·       Personagem colectiva
·       Representa o analfabetismo e a miséria
·       Escravizado pela ignorância
·       Não tem liberdade
·       Desconfia dos poderosos
·       É impotente face à situação do país (não há eleições livres, etc.)

-       Manuel
·       Denuncia a opressão
·       Assume algum protagonismo por abrir os dois actos
·       Representa a impotência do povo

-      Matilde
·       Personagem principal do acto II
·       Companheira de todas as horas de Gomes Freire
·       Forte, persistente, corajosa, inteligente, apaixonada
·       Não desiste de lutar, defendendo sempre o marido
·       Põe de lado a auto-estima (suplica pela vida do marido)
·       Acusa o povo de cobardia, mas depois compreende-o
·       Personifica a dor das mães, irmãs, esposas dos presos políticos
·       Voz da consciência junto dos governadores (obriga-os a confrontarem-se com os seus actos)
·       Desmascara o Principal Sousa, que não segue os princípios da lei de Cristo


-      Sousa Falcão
·       Amigo de Gomes Freire e Matilde
·       Partilha das mesmas ideias de Gomes Freire, mas não teve a sua coragem
·       Auto-incrimina-se por isso
·       Medroso

                                                           

Condições Históricas dos anos 60 : denúncia da violência - Felizmente Há Luar

Século XIX – 1817
Século XX – anos 60
Agitação social que levou à revolta de 1820
Agitação social: conspirações internas; principal erupção da guerra colonial
Regime absolutista e tirano
Regime ditatorial salazarista
Classes hierarquizadas, dominantes, com medo de perder privilégios
Classes exploradas; desigualdade entre abastados e pobres
Povo oprimido e resignado
Povo reprimido e explorado
Miséria, medo, ignorância, obscurantismo mas “felizmente há luar”
Miséria, medo, analfabetismo, obscurantismo mas crença nas mudanças
Luta contra a opressão do regime
Luta contra o regime totalitário e ditatorial
Perseguições dos agentes de Beresford
Perseguições da PIDE
Denuncias de Vicente, Andrade Corvo e Morais Sarmento
Denuncias dos “bufos”
Censura à imprensa
Censura total
Repressão dos conspiradores; execução sumaria e pena de morte
Prisão; duras medidas de repressão e tortura; condenação sem provas
Execução de Gomes Freire
Execução de Humberto Delgado
Revolução de 1820
Revolução do 25 de Abril de 1974

Carácter Épico - Felizmente Há Luar

Felizmente há luar! é um drama narrativo, de carácter social e épico, que apela à reflexão, não só no quadro da representação, mas também na sociedade em que se insere.

Brecht pretende representar o mundo e o homem em constante evolução de acordo com as relações sociais. Estas características afastam-se da concepção do teatro aristotélico que pretendia despertar emoções, levando o publico a identificar-se com o herói. O teatro moderno tem como preocupação fundamental levar os espectadores a pensar, a reflectir sobre os acontecimentos passados e a tomar posição na sociedade em que se inserem. Surge, assim, a técnica do distanciamento que propõe um afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador e a história narrada, para que, de uma forma mais real e autêntica, possam fazer juízos de valor sobre o que se está a ser representado.

Desta forma, o teatro já não se destina a criar terror ou piedade, isto é, já não tem uma função purificadora, realizada através das emoções, tendo, então, uma capacidade crítica para quem o observa. Brecht pretendia substituir o “sentir” por “pensar”, levando o público a entender de forma clara a sua mensagem por meio de gestos, palavras, cenários, didascálicas e focos de luz.

Estes são, também, os objectivos de Sttau Monteiro, que evoca situações e personagens do passado (movimento liberal oitocentista), usando-as como pretexto para falar do presente (ditadura salazarista) e, assim, pôr em evidência a luta do ser humano contra a tirania, a opressão, a injustiça e todas as formas de perseguição.

Felizmente há Luar - Contextualização

A história desta peça passa-se na época da revolução francesa de 1789.

As invasões francesas levaram Portugal à indecisão entre os aliados e os franceses. Para evitar a rendição, D. João V foge para o Brasil. Depois da primeira invasão, a corte pede auxílio a Inglaterra para reorganizar o exército. Estes enviam-nos o general Beresford.

Luís de Sttau Monteiro denuncia a opressão vivida na época do regime salazarista, através desta época particular da história. Assim, o recurso à distanciação histórica e à descrição das injustiças praticadas no início do século XIX, permitiu-lhe, também, colocar em destaque as injustiças do seu tempo, o abuso de poder do Estado Novo e as ameaças da PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), entre outras.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Bibliografia - Sttau Monteiro

Ficção: 1960, romance – O Homem não Chora
               1961, romance – Angústia para o Jantar
               1966, novela – E se for Rapariga Chama-se Custódia











Teatro: 1961 – Felizmente Há Luar
                 1963 – Todos os Anos, pela Primavera
                 1966 – Auto da Barca do Motor fora da Borda
                 1967 – A Guerra Santa
                 1967 – A Estátua
                 1968 – As Mãos de Abraão Zacut

Biobrafia - Sttau Monteiro

Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu em Lisboa, a 3 de Abril de 1926.
Era filho de um  jurista, professor catedrático e diplomata, Armindo Monteiro, e de uma senhora de ascendência nobre  espanhola e portuguesa. Viveu uma infância e juventude felizes junto da família, sem problemas económicos.
 
Viveu em Londres até 1943, altura em que Salazar o demite do cargo por ser simpatizante do regime inglês. A permanência em Londres exerceu forte influência na personalidade de Sttau Monteiro e, consequentemente, em toda a sua vida e obra.

É desta época que remonta o seu horror pelas guerras, não compreendendo os espíritos mesquinhos que as comandavam.
 
De volta a Portugal, estudou no colégio de Jesuítas em Santo Tirso, do qual foi expulso, e continuou os estudos no Liceu Pedro Nunes. Apesar do seu gosto pela matemática, a influência dos familiares levou-o a seguir as pegadas de seu pai tirando o curso de Advocacia na Faculdade de Direito de Lisboa. Contudo, não se sente realizado e, por isso, é breve a sua passagem pelo Direito.
 
Resolve voltar a Londres onde casa com uma senhora inglesa. De novo em Portugal e incentivado por autores como José Cardoso Pires, escreve para o Almanaque em 1960, sob o pseudónimo de Manuel Pedroso.

 Data de 1960 o seu primeiro romance, Um homem não chora. No ano seguinte, escreveu Angústia para o jantar e o drama Felizmente há Luar! que lhe valeu os primeiros Grandes Prémios de Teatro da Sociedade Portuguesa de Escritores da Fundação Calouste Gulbenkian.

Para além desta característica, foi um conhecido jornalista, publicitário e gastrónomo. Foi durante longos anos colaborador do Diário de Lisboa, Diário de Notícias e O Jornal.

Em 1982 viu a sua novela Agarra o Verão Guida, Agarra o Verão dar origem à telenovela Chuva na Areia.

Morreu em Lisboa a 27 de Julho de 1993.